Neste pais, também chamado de “Os
Bruzundangas”, título da sátira escrita por Lima Barreto, os homenzinhos ruins
da terra são deslumbrados com títulos chochos e insípidos de puro bacharelismo
vazio, isto, quando não há uma sinecura pública por detrás das parvoíces. De
fato, quase cem anos depois da morte do ilustre escritor, os antigos Estados
Unidos de Bruzundangas, atual República Federativa do Brasil, produzem esses
sujeitinhos pernósticos a granel, formados pela indústria de papel timbrado que
é a atual universidade brasileira. O Brasil, por assim dizer, democratiza a
cultura e a educação espalhando graduações, mestrados e doutorados para
imbecis. Claro, porque deve ser trabalhoso demais formar pessoas inteligentes.
Isso gera um custo desnecessário. Melhor mesmo é espalhar os “dotôrzinhos” para
inflar as estatísticas. O ex-presidente Lula não se orgulhava de ter um
português sofrível? Inspirado em tal proeza, o Ministério da Educação criou uma
gramática que ensina errado a nossa língua, “ultima flor de Lácio, inculta e
bela”, para torná-la tão somente mais inculta e feia. Nos diletos padrões da
gramática politicamente correta, fielmente contrária aos males do preconceito
linguístico, lembremos.
Eis
que me deparo um bacharelzinho da terra dos Bruzundangas, o “dotôr Sacamoto”. Ele
se identifica como doutor em Ciência Política pela USP e escreve um blog cheio de chavões esquerdistas. Em épocas de antanho,
pelo sobrenome, seria o homem que falava javanês ou um nome de tempero japonês
pra comidas. Ou, quem sabe, uma espécie esquisita e moderninha de Conselheiro
Acácio, personagem ilustre e inesquecível de Eça de Queiróz. Não chega a tanto.
Não seria um embusteiro tão sofisticado como o conselheiro e, tampouco, saberia
falar javanês. No máximo, seria um acaciano moderno de besteiras e falas uspianas,
ou melhor dizendo, de “uspianês”, um dialeto, que de tão confuso e incompreensível,
acaba soando até como estranha e bizarra forma de inteligência para os homens
tolos. Tudo sem tempero e sem sal.
Apesar de não ser o conselheiro
Acácio, “Dotôr Sacamoto” tem inúmeras pérolas acacianas: “O trabalho pode fazer parte da
formação pessoal, desde que não afete o crescimento do indivíduo, respeitando a
idade legal”. O discursinho
insosso lembra o daqueles bons moços da casa, protocolares, ditando
lugares-comuns para mocinhas preparadas para se casar, lá na época de nossos
avós. Não passa pela cabecinha do professoral militante que as crianças dos
grotões do nosso país trabalham, justamente porque precisam sustentar a família.
Aliás, sempre foi assim. É uma questão de necessidade, que extrapola a própria
lei. O Brasil rural certamente não vive a realidade da maior cidade da América
do Sul. Talvez nem a vida de São Paulo, idealizada por um beautiful people como o “dotor
Sacamoto” seja a realidade crua de São Paulo. Meu avô começou a trabalhar com
nove anos de idade. Não morreu por isso. Pelo contrário, morreu
confortavelmente bem e deixou bens para esposa e família. Aliás, o maior
empresário do Brasil, o Visconde de Mauá, começou a labutar nesta idade. E se
tornou o homem mais rico do império. Se os xiitas fiscais do trabalho, junto
com os “Sacamotos” da vida, existissem em priscas eras, os nossos ancestrais
morreriam de fome. Bons tempos em que não existiam os uspianos da vida querendo
se meter na vida dos outros onde não são chamados. Ao menos, os menores pobres
do passado poderiam trabalhar sem restrições, criando condições de
independência e formando suas famílias desde cedo.
Mas o nosso acaciano moderno, o nosso
homenzinho que sabia falar uspianês, diz defender os menores da “exploração
do trabalho”, mas quer eliminá-los no início, (em nome dos tais
“direitos da mulher” ou da “saúde pública”) com a cantilena pró-aborto. Ele
diz: “Hoje, o “direito” ao aborto depende de quanto
você tem na conta bancária. Afinal de contas, mulher rica vai à clínica, paga
R$ 4 mil e pronto”. Matar alguém no Brasil também depende de uma
boa conta bancária. Um fazendeiro rico dos grotões nordestinos pode contratar uns
pistoleiros para matar um desafeto, pagar bons advogados, subornar juízes e
conseguir a absolvição. Um empresário rico pode matar a mulher, pagar bons
advogados, enrolar a justiça, aproveitar-se dos problemas da burocratização dos
processos e ficar solto ad infinito. Pronto! Cerca de 50 mil pessoas morrem por
ano, em homicídios, por todo o Brasil e o número de casos criminais chega a
níveis absurdos de impunidade. Que tal legalizarmos os homicídios? Pela
descriminação dos homicídios já!
O homem que sabia falar uspianês
abusa da incoerência lógica: “Mulher
pobre se vale de objetos pontiagudos ou remedinhos vendidos a torto e direito
sem controle e que podem levar a danos permanentes. A discussão não é quando
começa a vida, sobre isso dificilmente chegaremos ao um consenso, mas as
mulheres que estão morrendo nesse processo”.
Ou seja, não importa se as
mulheres, ao praticarem o aborto, estejam matando seus filhos. Importa sim
isentá-las das responsabilidades pelos atos que praticam. O benefício da dúvida
não se aplica aos nascituros. Curiosa argumentação: em nome da dúvida, mata-se. Che Guevara afirmava a mesma coisa, em
sua justificativa de fuzilamentos sumários em Cuba. Não é diferente do nosso
acaciano de esquerda. E por quê? Em nome de um direito, em abstrato, de
propriedade da mulher sobre o corpo, destrói-se algo real, que é a vida de
alguém.
O professoral de discursinho de
DCE acadêmico revela tal pensamento, ao satirizar as declarações do bispo de
Assis, que fez pesadas críticas à nova ministra da Secretaria de Política para
as Mulheres, Eleonora Menicucci, que é pró-aborto: “Para cicatrizar uma ferida, primeira é preciso abri-la, retirar toda a
sujeira que se acumulou ao longo do tempo e lavá-la bem. Daí usar os
medicamentos apropriados para que não ocorra nenhuma infecção, ou seja, que o
problema se espalhe. Aí sim, é hora de fechá-la. O que o bispo pede é
diferente. Ele quer que ninguém mexa na ferida, que há séculos produz um pus
fétido na sociedade, que é a forma como tratamos as mulheres e o direito ao seu
próprio corpo. E como o Estado se omite em debater temas importantes, deixando
para outras instituições essa responsabilidade”.
Aqui, o “dotôr Sakamoto” apela a
uma desonestidade argumentativa chamada “non sequitur”. O que tem a ver o
tratamento dado às mulheres com a legalização do aborto, que é o direito de
matar nascituros, impedindo-as de nascer? O que isso fundamentalmente muda no
quesito do “direito” das mulheres? Coloco entre aspas, porque não é dado a
ninguém o direito de matar outro indivíduo. E neste argumento, há outra falácia
lógica: o bispo, como a Igreja Católica,
não está discutindo o direito da mulher sobre o próprio corpo, mas sim o
direito de uma mulher sobre o corpo e a vida de seu filho. Sobre a vida e
corpo de terceiros. Todavia, o professor, com sua linguagem uspianesa, inverte
a lógica do discurso, falsificando a realidade para seus leitores.
Ele não se comove. O non sequitur
continua imbatível: “Mas, afinal de
contas, o bispo tem razão. Que história é essa de pensar que o Brasil é laico e
democrático? O Brasil pertence aos pastores de Deus, aos homens de bem e aos
héteros (sic). Ah, e aos empresários de sucesso, é claro”. A pergunta
que não quer calar é: o que tem a ver
alhos com bugalhos? O que tem a ver a natureza laica e democrática do Estado
com a legalização do aborto? É interessante notar a mentalidade comunista
inculcada nessa cabecinha uspiana do “dotôr Sacamoto”: padres, bispos, pastores ou até religiosos são cidadãos de segunda
categoria. Eles não podem opinar ou ter posições políticas e morais a
respeito de seu país. E o que tem a ver os empresários de sucesso com relação ao aborto? O monopólio da opinião pertence a bestas doutorais como
nosso militante profissional acaciano com sobrenome de tempero japonês. Ao que
parece, há na mentalidade esquerdista abjeta de cada professorzinho “dotoral”
do país uma tentativa de rasgar a Constituição, que garante a igualdade, sem
distinção de ideologia ou religião. Não são os tipos “sacamotais” da vida que
aderem alegremente àquele calhamaço totalitário do PNDH-3?
Falando em “non sequitur”, é necessário rir mais
um pouco: “Defender
o direito ao aborto não é defender que toda gestação deva ser interrompida (nem
sei porque estou gastando pixels explicando algo que deveria ser óbvio, mas vá
lá). E sim que as mulheres tenham a garantia de atendimento de qualidade e sem
preconceito por parte do Estado se fizerem essa opção. O “dotôr” com sobrenome
de tempero de cozinha escamoteia suas intenções. Defender o “direito ao aborto”
é sim defender o aborto. No entanto, ele ainda defende o assassinato de
nascituros, apelando aos mais altos ideais. Eufemismos grosseiros para defender
algo monstruoso. Traduzindo em miúdos, a lógica do planeta USP, sem enrolações:
defender o direito de matar não é defender
que todas as pessoas sejam mortas e sim que os assassinos não tenham risco de
morte!
E o “Sacamoto”, o homem que sabia falar
uspianês, talvez não conheça muito bem a língua pátria, ao colocar acento na
palavra “hetero”. Sabe-se lá o que ele
quis dizer que o Brasil pertence aos heteros? Deve ser porque o sujeitinho tenha uma revolta contra a realidade, já que não foi uma relação anal do
Parque Trianon que reproduziu a tal espécime uspiana, e sim um casal formado
por homem e mulher (embora tenha minhas dúvidas quanto às origens geracionais
dos seres uspianos). Não é que o acaciano nos dá uma declaração que faz chorar
rios de lágrimas os idiotas do politicamente correto? “Dotôr Sacamoto” não tem
apenas imprecisões nas palavras. Deve ter sérias imprecisões na sexualidade,
para dar declarações como estas, já que só falta colocar na cadeia quem
divergir da conduta homossexual: “Tolerância é bom. Porém, legal mesmo não é
apenas tolerar, mas acreditar que as diferenças tornam o mundo mais
interessante e rico do que a monotonia monocromática da velha ditadura
comportamental a que estamos subjugados pela religião, pela tradição, pelo preconceito”.
Realmente,
a heterossexualidade deve ser uma completa e malvada ditadura da natureza. Que
crueldade de Deus, da religião e da tradição. Criou uma humanidade sem
criatividade, totalmente sexuada. O negócio mesmo é “pluralizar” o sexo,
torna-lo mais “interessante”. Que tal legalizar a sua diversidade? Os
pedófilos, os zoófilos, os necrófilos, e demais membros da “diversidade sexual”
bem que poderiam tornar o mundo mais interessante. Já pensou? Isso porque o
“dotôr Ajinomoto” vai além da tolerância! Ele quer a aceitação compulsória de
qualquer comportamento sexual “plural”. Insiste o nosso falante de uspianês,
acaciano, como sempre: “Nenhuma
manifestação de afeto deveria ser taxada de anormal. Anormal é quem torce o
nariz para ela”. Os tarados ficariam bastante felizes com essa afirmação. Pedófilos
dizem ter afeto por crianças. Zoófilos dizem ter afeto por animais. Até o
maníaco do parque dizia ter afeto por mulheres, suas vítimas. Se alguém beijasse a bunda de
um garoto ou passasse a mão nas nádegas de uma mulher, as vítimas é que iriam
pra cadeia. O cartunista Laerte não invadiu o banheiro das mulheres numa
pizzaria, e ainda recebeu apoio da imprensa? Nas palavras de muitos
jornalistas, o dono da pizzaria e a criança que denunciou a histriónica cena é
que deveriam ser presos. Crime? Preconceito contra a “transgeneridade”.
É triste perceber que Lima
Barreto fora profético. Em sua época, os “dotores” da vida já causavam um
estrago profundo no cotidiano dos brasileiros. Atualmente a coisa se degenerou. Hoje
temos charlatães e embusteiros professorais. O “dotôr Sacamato” deveria ser
preso por estelionato intelectual. Ou, no máximo, mandado para um hospício ou
circo de horrores.
12 comentários:
Porreta! Parabéns!
USPício.
caro conde queria contar um estória interessante para vc.
em minha familia me sinto um dissidente pelo fato de eu nao possuir a mentalidade revolucionaria com toda a sua intolerancia.Minha mãe é petista militante, e meu pai é um desses idiotas uteis tipicamente brasileiro. Alias minha familia toda é assim. Se critico e faloa as verdades sobre o traidor Barack Obama , sou taxado como racista. Outro dia publiquei um artigo do MSM relatando exatamente o absurdo do caso daquele cartunista da folha, aquele ser desprovido de qualquer moral. Pronto foi o bastante para falarem que eu era extremista e que temiam que eu saisse atirando e matando todo mundo. Sinceramente não sei oque fazer ja tentei explicar tudo sobre mentalidade revolucionaria e como essas pessoas operam, mais eles relutam em me ouvir, talvez porque como disse o Julio Severo, estou fora dos padrões globais, por isso sou um cara nervoso e desequilibrado rsrsrsrs. Oque eu deveria fazer?? Oque vc me aconselha???
Abraços e continue com o excelente trabalho.
Muito bom Conde!. Texto magnífico.
Obs: Tente mudar a fonte. Creio que vc esteja usando uma fonte em negrito. Abraços.
O rapaz de Belém escreve desconfortavelmente mal.
Parece faltar a Leonardo Bruno tempo para apreciar as nádegas de uma mulher.
Parece faltar a Leonardo Bruno tempo para apreciar as nádegas de uma mulher.
Conde-Quem sabe eu aprecie as nádegas de sua mãe. O problema é que ela defecou vc. Um abraço.
O rapaz de Belém escreve desconfortavelmente mal.
Conde-Pra vc chegar a ser Afonso Henriques de Lima Barreto, nem ralando coco vc consegue. Mas é normal que bestas quadradas apareçam com mania de grandeza aqui. Um tranquilizante, um remedinho controlado para esquizofrenia ou até uma morfina seriam bons para vc.
Oque eu deveria fazer?? Oque vc me aconselha???
Conde-Mande esse pessoal à merda! abraços.
"Oque eu deveria fazer?? Oque vc me aconselha???"
Ame seus pais, respeite-os, honre-os e - se você for crente - reze por eles.
Não adianta explicar nada: quanto mais você falar, tanto mais vão remeter as suas palavras a algum desequilíbrio mental, ou seja, ao fato de ser um "extremista de direita". Demais, está gastando preciosa força psíquica, que poderia ser dirigida aos estudos, em discussões estéreis.
Só trate de explicar algo se eles perguntarem; antes disso não, é quase inútil.
Ass.: Anônimo do trocadilho boboca (USPício).
Excelente texto, Conde ! Meus parabéns !
ei conde, qual a sua opinião sobre a pilula masculina? ela existe ha mais de 20 anos, e foi boicotada pelo governo; se a produção dela tivesse sido legalizada, e tbm uma melhor facilidade para a esterilização do homem, isso diminuiria a suporta "necessidade" do aborto? para mim essa seria a solução para acabar com essa luta assassina dos ateus
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